Por Bruno Oliveira

Resumo

Em uma análise do trabalho do professor e pesquisador do Ifal Demétrius Morilla, conselheiro-diretor do Conselho Regional de Química – 17ª Região (CRQ-XVII/AL) que pode ser acessada no seguinte link https://www2.ifal.edu.br/campus/maceio/noticias/professor-do-campus-maceio-representa-ifal-na-cop30-com-proposta-sobre-biorremediacao-na-amazonia , observamos o seguinte gráfico:

Percebemos que a Amazônia tem se consolidado como um dos principais focos da pesquisa científica global, em função de sua relevância para a biodiversidade, os ciclos biogeoquímicos e a regulação climática do planeta. Estes textos, tenta analisar a distribuição internacional das pesquisas sobre a Amazônia a partir de um gráfico que apresenta a produção científica por país, discutindo as assimetrias geográficas, o protagonismo internacional e as implicações estratégicas para a ciência brasileira, com ênfase no papel da química.

Verificando também a plataforma https://www.webofscience.com/ que também serviu de base de pesquisa para o trabalho de Fernanda De Negri ( Diretora de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Diset/Ipea). https://repositorio.ipea.gov.br/server/api/core/bitstreams/ac6303d1-bf74-4841-adc7-3e0fb3f5bfdf/content que analisou os artigos científicos publicados
sobre a Amazônia no período 2000-2023.

O estudo mostra o crescimento do número de artigos publicados sobre o bioma nesse período, bem como a preponderância brasileira na produção científica sobre o tema. Além disso, mostra as principais áreas científicas de estudos sobre a Amazônia e quais são as principais instituições responsáveis por esses estudos.

Alem disso, essa análise do IPEA demonstra que os cientistas brasileiros são autores ou coautores de cerca de 19mil (54%) artigos publicados sobre o bioma nesse período. A seguir, vem os Estados Unidos, cujos cientistas assinam aproximadamente 31% dos artigos (aproximadamente 11 mil). Inglaterra, França e Alemanha aparecem com aproximadamente 2 mil artigos cada um, ou algo entre 6% e 7% do total. Dos demais países latino-americanos cujo território abarca parte da floresta amazônica, os mais relevantes em termos de publicações científicas são: Peru, com 1.777 artigos; Colômbia, com 1.122; e Equador, com 847. Fora dos continentes americano e europeu, destacam-se a China e a Austrália, com número relevante de artigos sobre a Amazônia.

Palavras-chave: Amazônia; Produção científica; Química ambiental; Pesquisa internacional; Sustentabilidade.

1. Introdução

A Amazônia representa um dos sistemas naturais mais complexos do planeta, desempenhando papel central nos ciclos do carbono, da água e da biodiversidade global. Nas últimas décadas, o bioma passou a ocupar posição estratégica na agenda científica internacional, especialmente em áreas como mudanças climáticas, química ambiental, biotecnologia e recuperação de ecossistemas degradados.

A análise da distribuição das pesquisas científicas sobre a Amazônia permite compreender não apenas o interesse global pelo bioma, mas também as relações de poder científico, cooperação internacional e protagonismo regional na produção do conhecimento.

2. Distribuição Geográfica da Produção Científica

O gráfico analisado evidencia que a produção científica sobre a Amazônia não se restringe aos países amazônicos. Observa-se forte participação de países como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, China e Japão, que concentram elevado volume de publicações, apesar de não possuírem território amazônico.

Esse padrão revela que a Amazônia é tratada como um sistema ambiental de interesse planetário, sendo estudada a partir de perspectivas globais relacionadas à estabilidade climática, aos serviços ecossistêmicos e ao desenvolvimento de tecnologias ambientais.

3. O Papel do Brasil e dos Países Amazônicos

O Brasil se destaca como um dos principais produtores de pesquisas, o que é coerente com sua posição como país que abriga a maior extensão da Amazônia e concentra grande parte dos dados primários coletados em campo. No entanto, a análise sugere uma assimetria relevante: embora os dados e amostras sejam majoritariamente obtidos no território amazônico, muitos estudos são liderados por instituições estrangeiras.

Outros países amazônicos apresentam participação científica menor e fragmentada, refletindo limitações estruturais relacionadas a financiamento, infraestrutura laboratorial e inserção em redes internacionais de alto impacto.

4. A Centralidade da Química na Pesquisa Amazônica

A expressiva atenção internacional à Amazônia está fortemente associada a questões químicas e bioquímicas. O bioma constitui um laboratório natural para o estudo de:

  • Ciclos biogeoquímicos de carbono, nitrogênio e metais;
  • Processos naturais de biorremediação;
  • Compostos bioativos e metabólitos de interesse biotecnológico;
  • Interações químicas entre solo, água, microrganismos e plantas.

Nesse contexto, a química desempenha papel estratégico ao fornecer ferramentas analíticas, modelos de transformação molecular e soluções aplicadas para a recuperação ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais.

5. Implicações Científicas e Estratégicas

Os dados analisados indicam que a Amazônia se tornou uma fronteira científica global, despertando interesse contínuo e crescente. Contudo, a concentração da liderança científica fora da região evidencia a necessidade de fortalecimento das capacidades locais, especialmente na formação de pesquisadores, coordenação de projetos e produção de conhecimento de alto impacto.

Para o Brasil e, em particular, para cientistas da Amazônia, este cenário representa uma oportunidade histórica de assumir maior protagonismo, liderar redes internacionais e transformar o território não apenas em objeto de estudo, mas em centro de formulação científica.

6. Conclusão

A análise da distribuição das pesquisas sobre a Amazônia revela que o bioma ocupa posição estratégica na ciência global, com destaque para áreas fortemente dependentes do conhecimento químico. O interesse internacional reflete o reconhecimento da Amazônia como elemento-chave para o futuro ambiental do planeta.

Fortalecer a ciência amazônica, especialmente nas áreas de química ambiental e biotecnologia, é fundamental para reduzir assimetrias, garantir soberania científica e transformar conhecimento em soluções sustentáveis para a região e para o mundo.

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