A Amazônia é muito mais do que o maior bioma tropical do planeta — ela é um verdadeiro laboratório natural vivo, onde processos biológicos complexos se entrelaçam com desafios ambientais intensos. É também um cenário privilegiado para que a química científica mostre seu papel estratégico na recuperação ambiental, na inovação sustentável e na construção de soluções que realmente façam a diferença na região
O trabalho do professor e pesquisador do Ifal Demétrius Morilla, conselheiro-diretor do Conselho Regional de Química – 17ª Região (CRQ-XVII/AL), convocado pelo Conselho Federal de Química (CFQ) para integrar a comitiva oficial do Sistema CFQ/CRQs no evento, que ocorreu no ano de 2025 em Belém (PA). https://www2.ifal.edu.br/campus/maceio/noticias/professor-do-campus-maceio-representa-ifal-na-cop30-com-proposta-sobre-biorremediacao-na-amazonia trouxe uma reflexão. “Na Amazônia, onde a pressão ambiental é intensa e a biodiversidade é vasta, essa abordagem une conservação, conhecimento científico e uso ético dos recursos naturais”, explicou o docente, ao apontar estudos demonstrando como a química e a biotecnologia podem atuar de forma sustentável na restauração de ecossistemas amazônicos.

O gráfico apresentado pelo trabalho do professor Demétrius, de uma forma geral, combina dois elementos centrais:
- Mapa-múndi destacando países que produzem pesquisas sobre a Amazônia
- Gráfico de barras indicando o volume relativo de publicações por país
O padrão que emerge é inequívoco: o interesse científico pela Amazônia é global, mas a liderança em produção científica não está concentrada apenas nos países amazônicos.
Concentração internacional do interesse científico
O mapa e as barras indicam forte participação de países como:
- Estados Unidos
- Países da Europa Ocidental (Alemanha, Reino Unido, França)
- China
- Japão
Esses países:
- Não possuem território amazônico
- Investem fortemente em pesquisa ambiental, climática, química, biotecnológica e de biodiversidade
- Enxergam a Amazônia como um ativo científico estratégico global, sobretudo para:
- Mudanças climáticas
- Ciclos biogeoquímicos
- Novas moléculas e processos bioquímicos
- Serviços ecossistêmicos planetários
Notadamente, a Amazônia é tratada internacionalmente como um sistema crítico da Terra, comparável aos oceanos e às calotas polares.
O Brasil aparece com destaque — o que é esperado, pois:
- Detém cerca de 60% da Amazônia
- Possui universidades, institutos federais e centros de pesquisa consolidados
- Produz dados primários (campo, amostras, observações diretas)
No entanto, o gráfico também sugere um ponto sensível:
Grande parte das pesquisas internacionais depende de dados coletados no Brasil, mas nem sempre lideradas por pesquisadores locais da Amazônia.
Isso indica:
- Forte cooperação internacional
- Mas também assimetria científica, onde:
- O Norte Global muitas vezes lidera análises, modelos e patentes
- O Sul Global fornece território, biodiversidade e dados brutos
América do Sul: interesse regional ainda desigual
Apesar de vários países amazônicos (Peru, Colômbia, Bolívia, Equador), a produção científica aparece:
- Fragmentada
- Com menor volume relativo
- Dependente de parcerias externas
Isso revela limitações estruturais como: Financiamento, Infraestrutura laboratorial, Redes internacionais de alto impacto, formação avançada em áreas estratégicas como química ambiental, química analítica e biotecnologia.
A Amazônia como fronteira científica da química
Do ponto de vista científico, especialmente da química, esse gráfico reforça uma mensagem central:
O interesse mundial pela Amazônia não é apenas ecológico — é profundamente químico.
A Amazônia é:
- Um reservatório de:
- Metabólitos secundários
- Compostos bioativos
- Sistemas naturais de biorremediação
- Um laboratório natural de:
- Ciclos do carbono, nitrogênio e metais
- Interações solo–água–microrganismos
- Processos de degradação e transformação molecular
Países que investem pesado em pesquisa sabem que:
quem domina o conhecimento químico da Amazônia, domina respostas estratégicas para clima, saúde, energia e sustentabilidade.
Implicações científicas e estratégicas
O que o gráfico nos diz, em termos científicos:
- A Amazônia é um objeto de interesse global irreversível
- A ciência internacional já entende que:
- Preservação exige conhecimento químico profundo
- Não basta conservar, é preciso entender os processos
- Existe uma janela histórica para pesquisadores amazônicos:
- Liderarem projetos
- Coordenarem redes
- Produzirem ciência de alto impacto a partir do território
Este gráfico não mostra apenas números — ele revela uma disputa silenciosa por conhecimento.
A Amazônia não é apenas um bioma estudado: ela é uma fronteira científica global.
E a química ocupa um papel central nessa fronteira, conectando biodiversidade, clima, recuperação ambiental e inovação.
Para o Brasil, especialmente para cientistas da Amazônia, a mensagem é clara:
Ou assumimos protagonismo científico agora, ou continuaremos sendo apenas o campo experimental da ciência global.
A Química Tem Papel Central Neste Laboratório Vivo
Pesquisas recentes destacam que a biorremediação — o uso planejado de microrganismos, plantas e processos bioquímicos para reparar solos, águas e ecossistemas degradados — não é um fenômeno natural automático, mas uma estratégia que depende de ciência rigorosa, monitoramento contínuo e aplicação ética
Essas estratégias incluem técnicas como:
- Micorremediação – uso de fungos e microrganismos que transformam poluentes em substâncias menos tóxicas;
- Fitorremediação – utilização de plantas para absorver ou degradar contaminantes no solo e na água;
- Bioestimulação e bioaumentação – manipulação de condições ambientais para aumentar a eficiência de microrganismos benéficos
Essas abordagens — essencialmente químicas e bioquímicas — são fundamentais em um bioma que enfrenta pressões como mineração, poluição, desmatamento e mudanças climáticas.
Durante a COP 30 a participação do Conselho Federal de Química – CFQ, trouxe como destaque o Painel “A Amazônia como Laboratório Vivo da Biorremediação” em que a Floresta é apontada como espaço real de aplicação científica, integração de saberes e recuperação ambiental https://cfq.org.br/noticia/a-amazonia-como-laboratorio-vivo-ciencia-biorremediacao-e-o-papel-estrategico-da-quimica-na-recuperacao-ambiental/
O painel “A Amazônia como Laboratório Vivo da Biorremediação”, promovido pelo CRQ 17ª Região (AL), reforçou que a maior floresta tropical do planeta não é apenas objeto de estudo, mas um campo real de aplicação para técnicas de recuperação ambiental. O debate mostrou que restaurar a Amazônia exige muito mais do que tecnologia: requer ciência aplicada, regulação séria e integração com o conhecimento tradicional que nasce do território.
Por Que Isso Importa Para Cientistas Brasileiros e da Amazônia
A Amazônia não precisa apenas de histórias emocionantes sobre o bioma — ela precisa de ciência aplicada, colaboração interdisciplinar e pesquisa profunda para transformar conhecimento em ação.
A química é uma das chaves para isso.
Ao compreender a composição química de solos, águas e seres vivos, cientistas conseguem identificar contaminantes, entender reações ambientais e propor soluções inovadoras. A química ambiental, por exemplo, oferece métodos para monitorar e preparar estratégias de intervenção baseadas em dados sólidos — algo que já tem sido destacado em debates científicos nacionais.
Pesquisadores da Amazônia e do Brasil:
Este é um convite para reforçar redes de colaboração entre universidades, institutos de pesquisa, comunidades locais e setores públicos e privados.
Químicos e bioquímicos:
A Amazônia é um campo vasto para pesquisas originais, desde a identificação de moléculas de valor biotecnológico até inovações em restauração ecológica.
Estudantes e jovens cientistas:
O momento é perfeito para se engajar em projetos que aliam química, biologia, engenharia e políticas ambientais — áreas que estão no centro das discussões globais sobre clima e sustentabilidade.
Por Uma Ciência que Vai Além do Laboratório
Transformar a Amazônia em um laboratório vivo não significa apenas fazer pesquisas de campo — significa inserir a ciência em diálogo com comunidades tradicionais, políticas públicas e práticas sustentáveis. Significa traduzir conhecimento em benefícios reais para o meio ambiente e para a sociedade.
Se você é um cientista ou está começando sua trajetória, pergunte-se:
Como posso aplicar a química para entender, proteger e restaurar a Amazônia?
Essa pergunta pode ser o início de trabalhos que transformem não apenas resultados acadêmicos, mas o futuro de todo um bioma.
Na COP 30, o debate ganhou camadas importantes quando os participantes ressaltaram que a ciência moderna precisa dialogar com saberes indígenas e tradicionais, que acumulam há séculos conhecimento profundo sobre plantas, fungos e dinâmicas ecológicas essenciais à fitorremediação. Essa integração, afirmaram, não é complementar, é determinante. Projetos que ignoram o conhecimento local têm menos precisão, menos impacto e menor aderência ao território.






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